Hackerfeminismo e a cultura binária da tecnologia.

Fui numa loja de brinquedos educativos comprar um presente pra uma garota de 8 anos. Só mulheres atendiam, o dono é um homem. Elas (as atendentes) começaram a me mostrar as opções de presentes para garotas de 8 anos: um tear, um fogão, um lance de bordar, um conjunto de panela.

Muito incomodada falei pra elas: mudei de ideia, ela é ele, o que vocês tem? Elas responderam – Tem esses kits de robótica, kit de montar pipa e esse kit de aventura com bussola lanterna, etc.

Isso se chama binarismo e é totalmente bizarro.

A sociedade de controle insiste em converter o campo da educação em meros projetos para manter as mulheres ocupando o espaço conservador de mulheres. Processos de construção de um conhecimento que onde possibilidade de insurgência feminina possa ser minimizada de forma que as mulheres se mantenham como operacionalizadoras de uma sociedade cujo princípio é a acumulação de poder pelos espécimes masculinos. Uma sociedade cujo objeto de evolução é o controle do homem, seja na educação, cultura, ciência, tecnologia ou nos processos subjetivos com a ascensão dos projetos hegemônicos de identidade. A vida-super-prática que sobrecarrega as mulheres de afazerem cotidianos muitas vezes supera o motor de gênese de uma cultura hackerfeminista.

Este tipo de espaço não pode mais ser ocupado por pessoas que sofrem ou se rebelam contra as violências de gênero. Esse modelo de apropriação da tecnologia precisa encontrar suas arqui-inimigas e ser combatido!

Mulheres, feministas e pessoas pró-feminismo precisam criar e buscar territórios criativos que possam e queiram ser ocupados por seus projetos e seus processos de aprendizagem sem medo de serem intimidadas. Espaços não apenas onde o masculino abre mão [momentaneamente] do seu privilégio permitindo a execução de projetos de mulheres e sim espaços com pessoas-não-binárias. Espaços-seguros onde o processo de gênese possa ter um motor feminino ou não-binário.

As hackerspaces femininas e não-binárias são espaços de desvinculação do complexo modelo de apropriação da tecnologia sob o contexto de gênero. São espaços guiados por estratégias, pensamentos e articulações não-binárias. Hacking tem sido um mundo predominantemente masculino. A ideia de hackerspaces feministas é quase uma subcultura, ou uma contracultura do real, ou seja, é um espaço de resistência que insurge com a percepção de tecnologia como demanda de um território ocupado pela sua própria identidade, de guerrilha e de necessidade e principalmente, por princípios não-sexistas.

A ideia política insurgente torna-se o único espaço seguro.

O hackerfeminismo projeta a aniquilação da tecnologia simplesmente como consumo de sonhos empacotados em formato de dispositivos, muitas vezes inacessíveis; mas também projeta e tece redes entre mulheres cientistas, hackers e entusiastas no campo da tecnologia.

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